Formation – Cycle de séminaires « Regards sur la musique. Perspectives comparées » – 12 mai 2021

Cycle de séminaires « Regards sur la musique. Perspectives comparées», 3e session, en ligne, 12 mai 2021, 14h30-16h (heure locale portugaise).

Organisé par le Centre d’Études Comparatistes de l’Université de Lisbonne, Marcos Cardão & Pénélope Patrix.

MÚSICA & ARQUIVOS / MUSIC & ARCHIVES

Bárbara Carvalho (CESEM – Nova FCSH) : « Why are so many Silent Film Modern Releases Full of CheapMusic”: música, cinema mudo e arquivo na era digital »

« O cinema mudo tem vindo a ocupar um espaço cada vez mais proeminente no panorama do restauro, da divulgação e da programação cultural de diversas salas, com diversas configurações públicas e modos de apropriação no momento de disseminação nos meios virtuais. Nos últimos anos, pela mão de arquivos como o British Film Institute, o Danish Film Institute, a Cinemateca Portuguesa, a Cineteca di Bologna, entre outros, muitos filmes do chamado pré-cinema e da era do cinema narrativo têm tido um maior destaque ao nível do restauro fílmico. Num movimento mais alargado que conjuga os esforços de digitalização e recuperação dos arquivos fílmicos ao interesse no estudo das primeiras décadas do cinema, surgem ainda como actores as plataformas de streaming (como a Criterion Channel) e as salas de espectáculo. A área dos film music studies tem igualmente contado com diversos contributos que têm procurado não restringir a investigação à história cultural da música no cinema mudo, mas também fomentar a que, ao debate e edição comercial de diversos filmes, se junte a música, seja esta original de época, encomendada ou resulte da prática da compilação de música pré-existente. Esta realidade de revivalismo da era muda traz novas perspectivas a discussões não tão recentes, desde logo a dicotomia original vs. cópia; noções de autenticidade, arquivo e comercialização; e o lugar do digital e da internet na sua relação com a edição “fidedigna,” com as especificidades do evento cinematográfico e com a circulação de versões personalizadas pelos utilizadores. Tomando este conceito de evento cinematográfico, de Rick Altman, e o mote “today’s sounds for yesterday’s films,” de Donnelly e Wallengren, proponho recuperar algumas destas discussões para as repensar a partir do lugar da música. »

João Fernandes (Musidanse – U. Paris 8) : « A improvisação musical e audiovisual e a apropriação de repositórios de imagens e sons: perspectivas de artistas »

« A prática da improvisação pode ser caracterizada pelas suas duas fases de construção: a primeira consiste na aquisição da técnica necessária para a apropriação do material a usar posteriormente na segunda fase – a performance. A primeira fase é múltipla: dependendo das disciplinas artísticas pode consistir na preparação dos materiais, na preparação corporal, no aperfeiçoamento de uma técnica instrumental, na construção de um instrumento digital, etc. A segunda fase – a performance – consiste na geração  e desenvolvimento em tempo real de gestos artísticos sem concertação prévia. Será, a partir da interpretação do contexto onde se realiza a performance que as ideias se formarão e evoluirão.

Nesta apresentação pretendo analisar estas duas fases da improvisação quando os artistas utilizam materiais pré-existentes. Em particular, exporei alguns casos práticos de utilização, por parte dos  improvisadores Loïse Bulot (desenho, colagem), Nicolo Terrasi (guitarra) e João Fernandes (eletroacústica, paisagens sonoras), de repositórios de imagens e sons criados por outros artistas. Pretendo mostrar como os artistas trabalham o material; como este material condiciona os artistas na sua performance e qual a liberdade existente segundo as ferramentas utilizadas; e finalmente qual a relação entre o trabalho realizado sobre o material antes e durante a performance. » 

Accès libre : https://videoconf-colibri.zoom.us/j/89889284998?pwd=cHRrYTdFanpadk1FT1cyVDhmbXhLdz09.

Meeting ID: 898 8928 4998, Password: 826069.


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